HAIIKA


As únicas fontes de luz daquele lugar eram velas e lanternas. Ao cair da noite apresentei minha câmera àquelas crianças, bastando o encanto de se verem no visor daquele instrumento estrangeiro para que eu fosse transportado para uma polissemia infinita de sentidos com toda ambiguidade mística daquela casa, uma dança de claros e escuros em um ambiente repleto de crianças mágicas da floresta atraídas por lanternas, luzes, movimentos e a descoberta do que podiam fazer com a minha presença e suas brincadeiras de luz. Com lanternas empunhadas e criadoras de si próprias, iluminavam seus corpos e todo o ambiente decantando-se em fluxos desfigurados de luz a desvelar os seres fantásticos daquele local e sempre me convidando a olhar. Luzes, contrastes, rostos desfocados e instáveis, pequenos corpos iluminados cheios de movimento revelavam o aspecto imaginário de uma atmosfera onírica gentilmente real. Já não eram mais corpos fotografados, mas o próprio corpus de imagens que se transfigurava em um convite para uma brincadeira com o olhar das alegres crianças de luz.


* A palavra HAIIKA significa “festa da alegria”, de origem xaranauá, adotada pelos Shawãdawa. 



// Fotografias realizadas na casa e com os netos de uma tradicional parteira indígena da etnia Shawãdawa. Comunidade ribeirinha localizada no vale do Juruá, interior da floresta Amazônica, Acre, Brasil.




PREMIAÇÕES / RECONHECIMENTOS


\\\ Seleção oficial - 12º FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOTOGRAFIA PARATY EM FOCO - 2016.

http://www.pefparatyemfoco.com.br/#!gustavo-frota/jongf |


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